A recusa em tomar banho, como Viih Tube foi acusada no "BBB 21", embora possa parecer algo trivial, muitas vezes está ligada a questões mais profundas de saúde mental.
Tomar banho é uma atividade fundamental por diversas razões, tanto para a saúde física quanto para o bem-estar emocional. Em primeiro lugar, ajuda a manter a higiene pessoal, já que a água e o sabonete eliminam o suor, a sujeira, as células mortas da pele, a oleosidade e outras impurezas que se acumulam ao longo do dia. Esse cuidado previne a proliferação de bactérias e maus odores, reduzindo o risco de infecções na pele.
Outro benefício importante do banho é a sensação de relaxamento e bem-estar que ele pode proporcionar. A água quente, em especial, tem efeito relaxante sobre os músculos, alivia tensões e melhora a circulação sanguínea, gerando uma sensação de conforto que pode ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade.
Sentir-se limpo e fresco também impacta positivamente o bem-estar emocional e mental, já que contribui para melhorar a autoestima e o humor. No entanto, há pessoas que demonstram pouco interesse em tomar banho - e isso pode ter diferentes explicações do ponto de vista psicológico, variando conforme a idade, o contexto e as circunstâncias pessoais de cada indivíduo.
No caso das crianças, a resistência ao banho pode estar relacionada à fase de desenvolvimento em que elas se encontram. Segundo o psicólogo Borja Quicios, muitas passam por uma etapa conhecida como “a idade do não”, período em que questionam as rotinas impostas pelos adultos como forma de afirmar sua autonomia. Nessa fase, o banho pode ser visto como uma obrigação desagradável, que elas preferem evitar.
Outra possível causa são experiências negativas anteriores, como escorregar na banheira, sentir a água muito quente ou ter o sabonete ardendo nos olhos. Situações assim podem criar uma associação negativa com o banho, levando à recusa.
Além disso, de acordo com o especialista, entre 1 e 2 anos de idade, algumas crianças desenvolvem medos irracionais - como o receio de serem sugadas pelo ralo - devido à imaginação ativa e à compreensão ainda limitada da realidade.
Para lidar com essa resistência, especialistas recomendam estratégias que não envolvam forçar a criança. Uma alternativa é permitir que ela brinque com água em um recipiente pequeno antes de ser introduzida gradualmente na banheira, ajudando a gerar confiança e reduzir a ansiedade relacionada ao banho.
Quando a higiene pessoal passa a ser vista como algo opcional, isso pode indicar que a pessoa está atravessando um período de esgotamento emocional ou baixa autoestima.
Na adolescência, a falta de interesse em tomar banho pode estar ligada à preguiça. Muitos jovens evitam essa tarefa de forma consciente, simplesmente porque não a consideram atrativa ou prioritária.
No entanto, em alguns casos, esse comportamento pode ser um sintoma de questões mais profundas, como a depressão - condição que afeta tanto adolescentes quanto adultos.
A psiquiatra Lindsay Standeven, da Johns Hopkins Medicine, explicou ao "The New York Times" que dificuldades para manter a higiene pessoal são comuns em pessoas com depressão, já que o transtorno pode causar fadiga extrema, tornando difícil realizar tarefas cotidianas como tomar banho. Além disso, a vergonha relacionada à falta de higiene pode impedir que essas pessoas busquem ajuda médica, alimentando um ciclo de baixa autoestima e sintomas depressivos.
Sobre isso, a psicoterapeuta Christine Judd, especialista em saúde mental na Austrália, destacou que, mesmo quando uma pessoa com depressão deseja tomar banho, a falta de energia pode ser insuperável.
Em outras situações, algumas pessoas encaram o banho como perda de tempo, acreditando que não é uma prioridade no dia a dia. Durante períodos de estresse ou exaustão, por exemplo, tomar banho pode parecer apenas mais uma tarefa em meio a responsabilidades consideradas mais urgentes. Além disso, se alguém não percebe o próprio corpo como sujo ou não nota odores desagradáveis, pode achar desnecessário se banhar com frequência.
A ablutofobia, definida como um medo intenso e irracional de tomar banho ou realizar atividades relacionadas à higiene pessoal, é outra possível explicação para a recusa ao banho. Segundo a revista "Muy Interesante", essa fobia faz parte do grupo das fobias específicas, caracterizadas por um medo desproporcional diante de situações ou objetos que não representam um perigo real.
Nas crianças, a ablutofobia costuma se manifestar entre os 7 e 11 anos, fase em que as fobias específicas são mais comuns. Embora possa ser confundida com rebeldia infantil, a diferença está na intensidade do medo e da ansiedade vivenciados pelas crianças afetadas.
Já nos adultos, o transtorno tende a ter consequências mais graves. A falta de higiene pode comprometer a saúde, a vida social e o desempenho profissional. Além disso, adultos com ablutofobia costumam desenvolver estratégias muito mais elaboradas para evitar o banho.
As causas da ablutofobia em adultos incluem experiências traumáticas no passado ou a observação de comportamentos semelhantes em figuras familiares durante a infância. Por isso, identificar o transtorno precocemente e buscar tratamento adequado é essencial para reduzir seu impacto na vida de quem sofre com essa condição.
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