Em várias famílias, é comum que haja uma discussão em torno do hábito frequente de pais que consertam objetos. Seja por conta da antiguidade dessas coisas ou por elas estarem quebrados. E esse debate envolve também se isso é uma motivação financeira ou psicológica.
E se você acredita que isso é um comportamento mesquinho, está entendo mal. Para a psicologia, o hábito de se arrumar algo ao invés de trocar aquele objeto esconde algo maior: é a maneira que essas pessoas encontraram para dar proteção às memórias, ao propósito e à própria família.
E é isso que vamos explicar adiante!
Uma série de pesquisas feitas há pouco tempo aliada à análises produzidas por profissionais de saúde mental apontam que tal atitude é um reflexo que tem a ver com a identidade e utilidade no dia a dia de uma família. Para isso pegamos de exemplo aquela pessoa que tem a responsabilidade de ser o principal cuidador de uma casa.
Esse hábito de dar restauro de uma maneira cuidadosa a algum objeto da própria casa que se partiu ou quebrou se torna uma âncora emocional para o restaurador. A forma dedicada como aquele indivíduo exerce o seu trabalho no ambiente doméstico serve ainda como válvula para combater o estresse do dia a dia, além de levar a uma melhora da saúde mental.
Mas não é só isso. De acordo com pesquisadores, esse hábito de consertar coisas velhas também tem ligação com a responsabilidade social e ecológica frente ao consumismo moderado. E tem mais: mesmo de maneira inconsciente, quem se dedica a reparar objetos danificados quer ter o controle prático, assim como a segurança em relação à casa.
E é por isso que o reparador se dedica de uma forma paciente a consertar aquele item quebrado: é esse o seu propósito e isso é feito de forma clara.
Uma coisa é certa: aquele item que tem muito tempo de "vida" ou objetos da própria casa têm um valor que dinheiro algum compra, isso por conta da ligação direta que têm com a história de uma família até os dias atuais. Quando se tem sucesso no reparo/restauro seja de um brinquedo de infância ou móvel que passou de geração a geração se tem uma manutenção de situações felizes do passado.
Dessa forma, manter o objeto restaurado/reparado é como se as lembranças de valor e as conexões de afeto sejam mantidas e não se apaguem no decorrer dos anos. Recentemente, o jornal "Economic Times" tem se voltado para debates a respeito do tema e apontado que quando se restaura um objeto familiar há uma ligação à estabilidade emocional.
O que esse hábito quer dizer principalmente às pessoas do sexo masculino é que quando se repara um objeto dá-se proteção ao chamado legado afetivo da mesma forma que à identidade que a casa tem ao longo do tempo. Nos estudos, os psicólogos chegaram a tais conclusões.
- HISTÓRIA VIVA - se mantém ativa o legado daquele grupo de maneira palpável, passando de geração a geração.
- AFETO SILENCIOSO - nesse caso, não há palavras, embora se demonstre de forma prática (e em silêncio) de uma manutenção de cuidado e afeto.
- CONEXÃO ANCESTREL - aqui a pessoa que se dedica à restauração acaba voltando ao tempo quando a produção era manual e/ou artesenal.
Na primeira infância, as crianças apresentam de forma profunda um desenvolvimento psicólogico quando têm convivência de forma diária com a cultura de se reparar ou restaurar alguma coisa. Em relação aos jovens que muito observam, eles de forma rápida aprendem o valor de um esforço constante e também da paciência.
Dois elementos fundamentais para dar solução à complexidade dos problemas do dia a dia. E de maneira bem sutil esconde-se por trás desse hábito a importância de levar tal hábito e dedicação aos relacionamentos, que carecem de forma igual de dedicação e paciência. A chamada empatia mútua familiar sai fortalecida fazendo tal comparação.
Os exemplos que os pais dão diariamente a respeito da preservação contínua acaba sendo fundamental para se rifar com a ideia de que se deva descartar algo facilmente.
Aquela pessoa responsável pela manutenção da casa tem a autoestima fortalecida de maneira contundente quando é valorizado, mesmo diante de pequenos consertos que executa. Além disso, esse grupo de trabalhos manuais executdos no tempo livre significa ainda que o restaurador nutre um respeito amplo pela terapia criativa quando se fica em silêncio na sua "oficina" dentro de casa.
Um propósito comum acaba sendo estabelecido quando a família conversa de forma franca a respeito da origem daquele item e os valores que o cercam. Dessa maneira, é importante agregar as gerações mais novas nas "oficinas domésticas" para que os laços familiares sejam apertados e o conhecimento prático tradicional seja valorizado.
Aí vai outra dica: a cada conserto feito com sucesso comemore de maneira entusiasmada como se o ato representasse uma conquista de todos e do verdadeiro amor em família. Mantenha essa atitude de nobreza e inspiradora para que as memórias afetivas permanecam sem fim no coração da casa.