Conhecido por levar reflexões sobre emoções, relacionamentos e felicidade para os palcos, o psicólogo e escritor argentino Gabriel Rolón chama a atenção para uma armadilha: procurar o bem-estar em qualquer lugar, menos no presente.
Em entrevista ao jornal La Nación, ele refletiu sobre como podemos nos prender à saudade de uma época que passou ou à expectativa de que a felicidade chegará mais tarde.
“Às vezes, a gente deseja mais ter sido feliz do que ser feliz. Deseja mais ser feliz no futuro, alcançar a felicidade, do que ser feliz agora, onde está”, afirmou.
É fácil olhar para trás e pensar que éramos mais felizes em outra fase: quando tínhamos menos responsabilidades, morávamos em outro lugar ou convivíamos diariamente com pessoas queridas.
Essas lembranças podem trazer conforto, mas também podem nos levar a comparar o presente com uma versão idealizada do passado. Da mesma forma, podemos adiar a felicidade para quando conseguirmos um novo emprego, tivermos mais dinheiro ou finalmente sairmos de férias.
Enquanto isso, momentos agradáveis — uma conversa demorada, um almoço tranquilo ou uma tarde livre — passam quase despercebidos, ocupados que estamos com aquilo que falta.
Um estudo publicado na revista Science ajuda a pensar nessa dificuldade de prestar atenção ao que vivemos.
Pesquisadores acompanharam 2.250 adultos e observaram que, em 46,9% dos registros, os participantes pensavam em algo diferente da atividade que realizavam. Nesses momentos, em média, relatavam níveis mais baixos de felicidade.
Isso não significa que recordar ou fazer planos seja ruim, nem que precisemos estar felizes o tempo todo.
A reflexão de Rolón nos convida a reconhecer o valor do que já vivemos e do que desejamos, sem deixar que isso nos impeça de perceber o que ainda pode nos fazer bem hoje.