Embora eu não seja mãe, muito menos pai, tenho quatro primos pequenos, o suficiente para entender o quanto é desafiador criar uma criança. A gente não quer apenas que elas cresçam saudáveis, mas também que sejam felizes, tenham amigos, aprendam, saibam lidar com os perrengues da vida. E, para tudo isso, a inteligência emocional é essencial. Ela ajuda a desenvolver empatia, resolver conflitos, lidar com o estresse e a construir relações sociais mais saudáveis.
Segundo a especialista em parentalidade Kelsey Mora, em entrevista à CNBC, “as crianças que se comunicam bem, lidam de forma equilibrada com as emoções e constroem relações saudáveis, aprendem essas habilidades com os pais”. Ou seja: se você faz estas sete coisas no dia a dia, está ajudando seu filho a desenvolver inteligência emocional e se preparar melhor para o futuro.
Reconhecer o que se sente não é fácil nem para adulto. Mas ensinar a criança a dar nome ao que está sentindo é fundamental para sua educação emocional. A psicóloga María Jesús Campos Osa explica que o exemplo vem dos pais, é importante falar abertamente sobre diferentes emoções, sem tabu. Assim, a criança aprende a reconhecê-las e expressá-las com naturalidade, sejam elas boas ou ruins.
Mora reforça que é essencial validar o sentimento da criança e evitar frases como “não chora” ou “não foi nada”, porque isso ensina que todo sentimento é legítimo e que é seguro expressá-lo.
Ser sincero com a criança não significa sobrecarregá-la, mas adaptar a conversa ao seu nível de compreensão. Evitar temas delicados, como morte ou doença, pode parecer uma forma de proteger, mas não é.
Os pais que encaram esses temas com franqueza usam linguagem simples, clara e deixam a criança fazer perguntas, mostrando que está tudo bem falar de assuntos desconfortáveis e buscar apoio quando algo preocupa.
Discutir na frente de uma criança pode ser uma aula de inteligência emocional, dependendo de como o conflito é conduzido. Se os pais se mantêm calmos e respeitosos mesmo discordando, ensinam que é possível debater sem agredir.
Para estimular a empatia, Mora sugere perguntas como: “Como você acha que seu amigo se sentiu com o que aconteceu?” ou “O que poderia ajudá-lo a se sentir melhor?”.
Isso ajuda a criança a entender o impacto das próprias ações e a desenvolver senso de responsabilidade emocional.
Criança precisa de afeto, mas também de limites claros. Segundo o neuropsicólogo Álvaro Bilbao, uma criação positiva inclui regras consistentes, não para punir, e sim para dar segurança e noção de responsabilidade.
Esses limites devem ser comunicados com firmeza, mas também com amor e explicação. Assim, a criança entende que existem normas, e quando crescer, saberá impor seus próprios limites de forma respeitosa.
Há uma diferença entre proteger e superproteger. Pais que sempre “salvam” o filho de qualquer dificuldade acabam tirando dele a chance de aprender a lidar com desafios.
Quando, em vez de dar a solução pronta, você pergunta algo como “O que você acha que podemos tentar pra melhorar isso?”, está ensinando autonomia e resiliência. A criança aprende a confiar na própria capacidade de superar obstáculos.
O brincar é essencial, e não apenas para gastar energia. Segundo a Unicef, o jogo é uma forma natural de desenvolver coordenação, criatividade e inteligência emocional.
Participar ativamente das brincadeiras, e não apenas observar , fortalece o vínculo e ajuda a criança a aprender cooperação, empatia e confiança.
Mora lembra que o ideal é valorizar o tempo de brincadeira livre, sem regras nem objetivos, para que ela possa criar, imaginar e se expressar.
Antecipar situações ajuda a criança a se sentir segura diante do novo. Antes de uma consulta médica, por exemplo, explique o que vai acontecer: “O médico vai te medir, escutar seu coração e olhar seus ouvidos e garganta.”
Também vale simular situações sociais, ensinando como reagir se alguém ultrapassar seus limites, por exemplo: “Se um amigo te pressionar a fazer algo que você não quer, o que pode dizer?”. Essas pequenas conversas ajudam a construir autoconfiança e autonomia emocional.